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Tirzepatida (Mounjaro): o que mudou com a aprovação para obesidade

Por Dr. Marcio Canever — Endocrinologia e Metabologia · CRM-PR 26.650 · RQE 24363 Publicado em Atualizado em Leitura: 7 minutos
Resposta direta

Tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro. Diferente dos medicamentos anteriores da mesma família, ela age sobre dois receptores hormonais — GLP-1 e GIP — em vez de um. Aprovada no Brasil para diabetes tipo 2 desde 2023, teve o uso para tratamento da obesidade autorizado pela ANVISA em junho de 2025. É medicamento de prescrição, com critérios definidos de indicação, e exige avaliação e acompanhamento médicos.

O que é a tirzepatida

A tirzepatida pertence à família dos medicamentos que imitam hormônios produzidos pelo intestino durante a digestão — as chamadas incretinas. Esses hormônios sinalizam saciedade ao cérebro, retardam o esvaziamento do estômago e influenciam a produção de insulina.

O que a diferencia é agir sobre dois desses receptores ao mesmo tempo: o GLP-1, que as moléculas anteriores já usavam, e o GIP, que é novo. Por isso ela é descrita como agonista duplo.

Tirzepatida e semaglutida: qual a diferença

Comparação entre tirzepatida e semaglutida
 TirzepatidaSemaglutida
Nome comercial Mounjaro Ozempic, Wegovy
Receptores GLP-1 e GIP GLP-1 apenas
Aplicação Injeção subcutânea semanal Injeção subcutânea semanal (há também apresentação oral)
Doses no Brasil 2,5 · 5 · 7,5 · 10 · 12,5 · 15 mg varia conforme a apresentação
Aprovação para obesidade ANVISA, junho de 2025 já aprovada anteriormente

As duas pertencem à mesma família, mas não são intercambiáveis. Em 2025 foi publicado o primeiro estudo que as comparou diretamente, com 751 participantes ao longo de 72 semanas: a tirzepatida levou a uma redução média de peso maior que a semaglutida.

Isso não define a escolha sozinho. Média de estudo não é previsão individual, e na consulta pesam outros fatores: presença de diabetes, tolerância digestiva, resposta a tratamento anterior, contraindicações, disponibilidade e custo — a diferença de preço entre as apresentações é relevante e faz parte da decisão.

A pergunta certa não é qual é a melhor, e sim qual é a mais adequada para aquela pessoa naquele momento.

Para quem a ANVISA autorizou

A autorização de junho de 2025 para tratamento da obesidade definiu critérios objetivos. O medicamento pode ser prescrito para pessoas com:

  • IMC igual ou maior que 30 kg/m², que caracteriza obesidade; ou
  • IMC igual ou maior que 27 kg/m², faixa de sobrepeso, desde que acompanhado de alguma comorbidade.

Em abril de 2026, a ANVISA também aprovou o uso para diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos, com a exigência de que a prescrição e o acompanhamento sejam feitos por pediatra ou endocrinologista.

Desde março de 2026, todas as seis doses estão disponíveis no país.

O que o tratamento exige

O IMC é o critério que a bula usa, mas não é o que define a conduta. A diretriz brasileira de 2026 deslocou o foco: o que orienta a indicação é a distribuição da gordura corporal e a presença de complicações associadas — não o número isolado na balança.

Por isso a avaliação vem antes da prescrição. Ela inclui o histórico de tentativas anteriores, a checagem de contraindicações e um conjunto de exames que mostram como o organismo está antes de qualquer medicação entrar:

  • Hemograma
  • Função renal
  • Função hepática
  • Exames hormonais
  • Perfil metabólico, incluindo glicemia

A lista não é fixa: outros exames entram conforme o quadro de cada pessoa. É também nessa conversa que se define o que se espera do tratamento e em quanto tempo.

Depois de iniciado, o acompanhamento é o que sustenta o resultado. A frequência da reavaliação varia com o caso — em alguns, mensal; em outros, a cada três meses; e, depois de um tempo de tratamento estável, pode passar a cada quatro meses. A dose é ajustada progressivamente, os efeitos são monitorados, e alimentação e atividade física continuam sendo parte do tratamento, não um complemento opcional.

Perguntas frequentes

Tirzepatida e Mounjaro são a mesma coisa?

Sim. Tirzepatida é o princípio ativo; Mounjaro é o nome comercial pelo qual ele é vendido no Brasil.

Precisa de receita?

Sim. É medicamento de prescrição, e a indicação depende de avaliação médica individual — não apenas do valor do IMC isolado.

Quem não tem diabetes pode usar?

A autorização da ANVISA de junho de 2025 contempla o tratamento da obesidade em pessoas sem diabetes, desde que atendidos os critérios de IMC descritos acima. Isso não significa indicação automática: a decisão é clínica.

Quanto tempo dura o tratamento?

Não há prazo fixo, e essa é a resposta honesta. A obesidade é hoje entendida como doença crônica e recorrente — da mesma natureza da hipertensão ou do diabetes, que também não têm alta programada.

Existe evidência direta sobre isso: em estudo que acompanhou pacientes após a suspensão do medicamento, quem interrompeu reganhou parte importante do peso, enquanto quem manteve sustentou o resultado. Interromper tende a reverter também os benefícios metabólicos, não apenas o peso.

Isso não significa uso eterno e sem revisão. Significa que a decisão de manter, ajustar ou suspender é clínica, tomada em conjunto, e não uma data marcada no início.

Preciso de encaminhamento para consultar?

Não. A consulta com endocrinologista pode ser marcada diretamente. Na Clínica Canever o atendimento é particular, com emissão de recibo para solicitação de reembolso ao convênio, e os exames são solicitados antes da consulta.

Fontes

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Aprovação do Mounjaro (tirzepatida) para tratamento da obesidade, junho de 2025.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Ampliação de uso para diabetes tipo 2 em pacientes de 10 a 17 anos, abril de 2026.
  3. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, 5ª edição, 2026. Disponível em: abeso.org.br/diretrizes
  4. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e ABESO. Tratamento Farmacológico do Adulto com Obesidade e seu Impacto nas Comorbidades — atualização e posicionamento, 2024.

Última verificação das fontes: .

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Nenhum medicamento aqui mencionado deve ser iniciado, interrompido ou alterado sem avaliação individual. A menção a nomes comerciais tem finalidade exclusivamente educativa.